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SAÚDE

Alimentos de origem animal são mais propensos a ter superbactérias

Publicado dia 18/09/2019 às 11h43min
Para evitar a contaminação consuma alimentos quentes, que tenham sido cozidos e bem passados: carnes; ou fervidos: legumes, verduras. As altas temperaturas matam as bactérias, dificultando que se contraia uma possível infecção.

Atualmente, as superbactérias vêm chamando a atenção dos médicos e agências de saúde em todo o mundo. De acordo com o infectologista Marcos Vinicius, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, é possível contrair uma superbactéria por meio da alimentação. Ele explica que isso se deve porque cerca de 70% dos antibióticos são destinados à agricultura e à pecuária, fazendo com que as bactérias se tornem mais resistentes e selecionadas.

Vinicius afirma que as contaminações mais comuns ocorrem em produtos de origem animal e seus derivados. Segundo o infectologista João Prats, da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo, esses alimentos são mais propensos a conter tais bactérias, pois o uso de antibióticos na sua produção é maior. Esses antibióticos são parecidos com os usados por seres humanos, tornando a infecção mais difícil de combater.

Segundo Vinicius, as infecções por superbactérias levam a infecções graves, podendo causar sepse (infecção generalizada), com difícil tratamento. Prats explica que a infecção depende do órgão no qual a bactéria se instala, podendo gerar infecções urinárias, infecção sanguínea, pneumonia ou diarreia. Além disso, a infecção por bactérias resistentes não apresenta sinais diferentes de uma infecção por bactéria comum. Prats afirma que o diferencial se dá pela falta de resposta aos antibióticos e, desta forma, é solicitado um exame de cultura sanguínea, identificando a bactéria resistente e modificando o tratamento.

Prats afirma que o uso indiscriminado de antibióticos pode agravar a infecção por bactérias resistentes. "Antibióticos comuns não são capazes de eliminar bactérias resistentes e, consumir esses medicamentos mata as bactérias da flora intestinal que ajudam a combater essas infecções, podendo torná-las mais graves", explica.

Prats afirma que as bactérias e as superbactérias podem sobreviver ao congelamento, mas é mais difícil. O infectologista explica que em vegetais congelados essa contaminação é mais rara, porém em carnes congeladas pode haver resquícios daqueles antibióticos que mantêm as bactérias mais resistentes.

Prats afirma que uma das melhores maneiras de evitar a contaminação por bactérias, sejam elas comuns ou resistentes, é consumir alimentos quentes, que tenham sido bem cozidos no caso das carnes ou fervidos no caso de legumes e verduras pois as altas temperaturas matam as bactérias, dificultando que se contraia uma possível infecção. 

Vinicius afirma que os alimentos devem ser manipulados de maneira adequada, sendo bem lavados e, no caso de verduras, legumes e frutas, deixando de molho na água com hipocloreto. Prats afirma que o ideal é colocar 10 gotas da substância para 1 litro de água.


*Estagiária do R7 sob supervisão de Deborah Giannini

https://noticias.r7.com/saude/ameba-que-come-cerebro-mata-menina-de-10-anos-nos-eua-18092019

Fonte: R7.