Unidades prisionais do Triângulo e Alto Paranaíba têm mais de 40 presos com Covid-19

Unidades prisionais do Triângulo e Alto Paranaíba têm mais de 40 presos com Covid-19

Seis unidades prisionais instaladas em cidades do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba têm registro de detentos infectados com Covid-19. A informação foi confirmada pelo Departamento Penitenciário de Minas Gerais (Depen-MG) a pedido do G1.

Ao todo, são 43 presos internados ou em isolamento até a última sexta-feira (29). Os dados são referentes às unidades das áreas de abrangência da 5ª, 9ª e 10ª Regiões Integradas de Segurança Pública (Risp). Diante dos casos, medidas de segurança foram adotadas e visitação pode ser suspensa.

De acordo com o Depen, a 5ª Risp é a área com o maior número de casos registrados: 35, sendo que 23 estão no Presídio de Itapagipe, seis no Presídio de Araxá I e quatro no de Frutal I. Todos estão assintomáticos ou com sintomas leves da doença e são acompanhados pelas equipes de saúde das unidades.

Ainda na região, a Penitenciária de Uberaba I tem dois registros da doença. Um dos presos está internado no Hospital Regional para melhor acompanhamento do quadro de saúde; outro está em isolamento, sendo acompanhado pela equipe de saúde do presídio.

Já na 10ª Risp, oito detentos testaram positivo para a Covid-19. Sete estão Penitenciária de Carmo do Paranaíba I e um no Presídio de Patos de Minas I; todos estão assintomáticos ou com sintomas leves.

A 9ª Risp é a única das três regiões que não tem registro de contaminados em presídios. O departamento também informou que tem adotado medidas de segurança sanitária em todas as unidades para evitar a contaminação dos internos.

Medidas adotadas

Segundo o Departamento Penitenciário de Minas Gerais (Depen-MG), diversas ações estão sendo realizadas para prevenir e controlar a disseminação do coronavírus nas unidades prisionais de Minas Gerais. Saiba mais abaixo:

  • Unidades portas de entrada: foi adotado um modelo pioneiro no país de circulação restrita de detentos no período de pandemia, classificado como referência pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. Para evitar a contaminação por novos presos, foram criadas 30 unidades de referência, distribuídas em todo o território mineiro, que funcionam como centros de triagem e portas de entrada para novos custodiados do sistema prisional;
  • Todas as pessoas presas em Minas Gerais estão sendo encaminhadas para uma unidade específica em cada região e ficam, pelo menos, 15 dias em quarentena e observação, evitando possível contágio caso fossem encaminhadas de imediato para outras unidades. Após a observação e atestada a saúde, são encaminhadas para as demais unidades prisionais do Estado;
  • Suspensão das visitas: para evitar a disseminação do vírus por meio de contato com o público externo, as visitas foram suspensas, para diminuir a circulação de pessoas externas, assim como a entrega, até então opcional, de kits suplementares contendo alimentos, remédios entre outros itens, para evitar a circulação de materiais contaminados. Destaca-se que esses itens continuam sendo fornecidos pelas unidades prisionais e recebidos, ainda, via Correios. Todos os kits enviados por meio postal são inspecionados, por questões de segurança, e estando em conformidade com a legislação, são entregues aos presos;
  • No caso de presos que já se encontram no sistema prisional, caso apresentem sintomas da Covid-19, o protocolo é o seguinte: isolamento imediato, realização de exames e, em caso de confirmação, tratamento segundo protocolo da área da Saúde. Em todas as unidades em que há presos com coronavírus confirmados, a desinfecção do ambiente também é imediata e todos os demais detentos passam a usar máscaras, de forma preventiva;
  • Evitar o contágio via profissionais de segurança: imprescindíveis para a segurança das unidades, os profissionais estão com as escalas de trabalho dilatadas, de forma a diminuir a circulação desses servidores intra e extramuros.
  • Evitar a circulação de presos para realização de audiências: foram instalados equipamentos para a realização de videoconferências judiciais em todas as unidades prisionais que estão, aos poucos, se adaptando para uso dessa ferramenta. Com isso, evita-se o deslocamento da maioria dos presos para o ambiente extramuros e diminui-se o risco de contágio pelo coronavírus. Já foram realizadas mais de seis mil videoconferências judiciais neste período de pandemia – uma parceria com o Poder Judiciário que deve se estender no período pós-pandemia por resultar em ganhos positivos para todos os atores envolvidos;
  • Contato com as famílias: com a suspensão das visitas, necessária para contenção do vírus, os familiares podem ter contato com os parentes de três formas: por meio de cartas (ação prevista para todas as unidades e com média de 35 mil recebimentos por semana), ligações telefônicas (cujo número é diferente em cada unidade e deve ser fornecido pelo presídio ou penitenciária; a média semanal é de 15 mil ligações realizadas) ou videoconferências nas unidades em que essa tecnologia já está disponível. Cerca de 80% das unidades prisionais já realizam visitas familiares por videoconferência;
  • Limpeza geral e desinfecção de ambientes: as áreas estruturais como celas, pátios, áreas administrativas e técnicas, portarias, guaritas e também veículos, estão passando por higienização reforçada, semanal, durante a pandemia;
  • Máscaras e Equipamentos de Proteção Individual (EPIs): o sistema prisional está produzindo máscaras para uso nas próprias unidades e segurança de todos. No interior das unidades prisionais já foram produzidas três milhões de máscaras por custodiados. Todos os servidores são obrigados a circular no interior das unidades de EPIs e, a eles, este material é fornecido sistematicamente. Os presos também utilizam máscaras quando estão com algum sintoma suspeito ou quando pertencem a alas ou pavilhões onde outro detento foi testado positivo para a doença.

Visita

Desde setembro, as visitas presenciais nos 194 presídios e penitenciárias de Minas Gerais foram retomadas, seguindo os protocolos para evitar a transmissão de Covid-19.

A visitas foram suspensas em março por causa da pandemia e o retorno é gradual, seguindo o Plano Estadual Minas Consciente, que separa as macrorregiões do estado em ondas verde, amarelo e vermelha indicando a situação da Covid-19 em cada uma.

G1 questionou a Sejusp sobre presença de parentes em unidades que contam com presos contaminados. Foi informado que os locais podem ter a visitação suspensa para preservar a saúde de todos os envolvidos.

FONTE: G1.COM

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