Zoom anuncia criptografia de ponta a ponta para proteger videoconferências

Zoom anuncia criptografia de ponta a ponta para proteger videoconferências

A Zoom anunciou que a função de criptografia de ponta a ponta deve chegar na próxima semana em seu serviço de videoconferência. A novidade estará disponível para todos os usuários, nas quem não paga assinatura terá de passar por uma verificação de conta.

A criptografia de ponta a ponta embaralha os dados da comunicação de modo que apenas os participantes da conferência possam ver o que está sendo transmitido.

Os servidores, embora ainda sejam responsáveis pela retransmissão do vídeo e do áudio para todos os participantes, não são capazes de enxergar o conteúdo protegido por esse embaralhamento.

Embora o Zoom já utilize criptografia, ela não é de “ponta a ponta” – hoje, ela protege a comunicação entre o servidor (o “centro”) e cada participante (a “ponta”).

O objetivo do novo recurso é resguardar a conexão de um participante até que ela chegue aos demais (“de ponta a ponta”). Trata-se da mesma tecnologia disponível no WhatsApp, no Signal e nos chats secretos do Facebook.

Os primeiros 30 dias serão considerados um “período de testes” e é preciso ativar a criptografia de ponta a ponta na conta e em cada videoconferência. O uso correto do recurso também prevê a leitura de um código de segurança numérico no início da conferência para garantir que todos os participantes estão com as chaves corretas.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-37/html/container.html

Será possível ter até 200 participantes em uma conferência que use essa configuração, de acordo com a Zoom.

Embora dê mais privacidade para as videoconferências, a criptografia de ponta a ponta também desativa algumas funções do serviço, incluindo a gravação em nuvem, a transmissão ao vivo, chat privado e reações.

Também não é permitido entrar na videoconferência antes do organizador (ou “host”), pois ele é encarregado de gerar e distribuir as chaves de criptografia para os demais participantes.

Países querem acesso à conteúdo criptografado

O anúncio da Zoom ocorre na mesma semana em que sete países publicaram uma carta conjunta e aberta às empresas de tecnologia, pedindo que funções de criptografia sejam desenvolvidas de modo a permitir sua quebra por autoridades que precisarem acessar os conteúdos protegidos.

O documento foi publicado no site do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, mas Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Reino Unido, Japão e Índia também aparecem listados como signatários.

Caso as empresas não desenvolvam mecanismos para burlar a criptografia, o texto alega ela pode acobertar ações criminosas, dificultando a coleta de provas.

Autoridades norte-americanas reclamam há muito tempo dos efeitos da criptografia nas investigações: em 2016, o FBI moveu uma ação contra a Apple para que a fabricante do iPhone ajudasse o órgão a burlar a criptografia os celulares dos atiradores de San Bernardino.

Conhecido como “backdoor” ou “porta dos fundos”, esse tipo de “falha intencional” na criptografia é muito criticado por especialistas. Eles alertam que os próprios criminosos podem acabar se aproveitando dessas funções para violar as comunicações das pessoas. No caso da Apple, o CEO Tim Cook chegou a afirmar que isso seria o equivalente a um “câncer” no software.

A criptografia de ponta a ponta impede que empresas de tecnologia vejam o que seus usuários estão fazendo. Isso melhora a privacidade, mas também significa que as empresas têm poucos dados para oferecer quando investigadores precisarem de provas.

O Zoom vinha estudando a inclusão de uma criptografia de ponta a ponta desde maio, quando adquiriu uma empresa especializada em identidades digitais.

Inicialmente, o plano da companhia era restringir a criptografia para usuários pagantes, evitando assim abusos do serviço para atividades ilegais. A postura da Zoom foi criticada e o plano foi revisado para permitir que qualquer usuário utilizasse o serviço com criptografia. No entanto, será necessária a verificação de identidade por telefone.

Ao contrário de muitas empresas de tecnologia dos Estados Unidos, a Zoom tem permissão para operar na China. A criptografia irrestrita poderia deixar a empresa sem condições de cumprir todas as exigências do governo, que censura comunicações. O WhatsApp, por exemplo, foi bloqueado no país asiático em 2017.

FONTE: G1.COM

admin

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: