Governo da Colômbia pede perdão por caso de abuso policial que causou uma morte e desencadeou protestos em que outros 11 morreram

Governo da Colômbia pede perdão por caso de abuso policial que causou uma morte e desencadeou protestos em que outros 11 morreram

O ministro da Defesa da Colômbia, Carlos Holmes Trujillo, pediu perdão público nesta sexta-feira (11) pela brutalidade policial que custou a vida de um homem. O caso desencadeou protestos que deixaram 11 mortos.

Acompanhado dos comandos policiais, o ministro manifestou sua “dor e indignação” pela morte do advogado Javier Ordóñez, de 44 anos, em um bairro do oeste de Bogotá na quarta-feira.

“A Polícia Nacional pede perdão por qualquer violação da lei, ou desconhecimento das normas, em que tenha incorrido qualquer um dos membros da instituição”, declarou o ministro.

Morte de um advogado

A morte de Ordóñez, pai de dois filhos, desencadeou os protestos. Ele foi preso por dois policiais, que o jogaram ao chão. Os agentes então lhe aplicaram choques com uma arma elétrica –alguns deles por vários segundos.

É possível ouvir Ordóñez pedir “chega, por favor” repetidas vezes. Ele foi levado a um posto policial e, de lá, para uma clínica, onde faleceu.

A defesa da vítima afirma que os policiais “massacraram” Ordóñez a golpes, no posto policial para onde ele foi levado. Lá, foi submetido a repetidos choques com uma arma elétrica.

“Tenho as fotos de como a vítima ficou. Javier foi massacrado. Cometeu-se um crime de homicídio agravado e um delito de tortura pelo menos, um abuso de autoridade”, declarou o advogado Vadith Gómez à Blu Rádio.

Sem certificado de óbito

O certificado de óbito não foi revelado, mas veículos da imprensa local disseram ter tido acesso a informações que confirmam a declaração do advogado da defesa.

Enquanto avança a investigação penal na Procuradoria, a polícia abriu um processo interno contra dois agentes “pelo suposto delito de abuso de autoridade e de homicídio”, acrescentou Holmes Trujillo.

Também “se decidiu suspender outros cinco policiais”, completou.

A morte de Ordóñez, um engenheiro que estava perto de concluir seus estudos de Direito, deflagrou violentos protestos contra a violência policial, além de desencadear uma onda de ataques contra postos de polícia em Bogotá.

Iniciados na quarta-feira, os protestos se espalharam para outras cidades, como Cali e Medellín, onde também houve fortes confrontos entre manifestantes e policiais.

União Europeia critica brutalidade policial

Esses recentes episódios de brutalidade policial na Colômbia devem ser alvo de uma investigação “profunda e rápida”, defendeu o porta-voz da Comissão Europeia, Peter Stano, nesta sexta.

“Todo uso excessivo da violência por parte daqueles que são responsáveis por proteger os cidadãos deve ser profunda e rapidamente investigado”, afirmou Stano, em um breve comunicado.

Ele também mencionou a adoção de “medidas institucionais” para evitar a repetição dos fatos, “em conformidade com a Constituição da Colômbia e com os padrões internacionais”.

“Apoiamos os apelos a todas as partes para que mantenham a paz e a calma e construam confiança, para evitar uma escalada”, completou.

Stano disse ainda que “o direito ao protesto pacífico é essencial a toda democracia e começa com uma recusa inequívoca de qualquer ato de vandalismo e violência que se proponha a gerar medo e desordem”.

FONTE: G1.COM

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