Secretária de Saúde, Sandra Barbosa, lembra a importância do isolamento social para o sucesso na guerra contra o Covid-19

Secretária de Saúde, Sandra Barbosa, lembra a importância do isolamento social para o sucesso na guerra contra o Covid-19

Capinópolis – MG

A secretária de Saúde de Capinópolis, Sandra Barbosa, destaca que o apoio da população foi fundamental para que a pandemia da Covid-19 não tenha chegado a Capinópolis. Ela concorda que é impossível todos ficarem em casa até o fim da pandemia, o que deverá acontecer só lá para setembro, mas que é importante a mudança de atitude e recomenda o uso de máscara e o cuidado com as pessoas do grupo de risco.

Ela falou com nossa reportagem no programa Correio da Região, versão rádio, na manhã de quarta-feira, dia 22, discorrendo sobre a pandemia.

“Falando do nosso município em relação ao Covid-19, hoje eu posso assegurar para toda a população capinopolense, que estou bem mais confiante, do que no início dessa pandemia, onde a gente não tinha nenhuma perspectiva de novos leitos, que não tínhamos equipamentos, que não tínhamos equipes. Hoje estou mais tranquila devido a todo o trabalho que nós executamos dia a dia e que ainda continuamos executando. No início era muito preocupante, porque nós não tínhamos nem um ventilador mecânico, não tínhamos testes, não tínhamos exames, não tínhamos leitos de retaguarda para pacientes acometidos pela Covid, era uma incerteza muito grande, a população não tinha o conhecimento da doença, as pessoas não se preveniam, não estavam realmente fazendo a higienização correta, não estavam usando máscaras. Hoje, falando do município de Capinópolis eu estou um pouco mais tranquila, mas isso não me deixa na zona de conforto. Estou tranquila em relação ao primeiro momento, onde a gente não tinha equipamento, não tinha equipe treinada e nem leito de retaguarda. Nós fizemos um trabalho, onde conseguimos muitos benefícios para a população de Capinópolis, como equipamentos e leitos de retaguarda em Ituiutaba. O trabalho no dia a dia não para, estamos correndo atrás de muita coisa, justamente para dar uma tranquilidade para a população de Capinópolis.

Pergunta: Desde quando nós conversamos a primeira vez, já dá para se conhecer um pouco mais sobre a pandemia, observando-se os casos em todo o mundo e, principalmente, na China, que foi onde começou essa doença. Qual a sua visão com referência a pandemia do Covid-19?

Sandra Barbosa: Em relação ao processo do Covid, na verdade a gente está vendo que o processo é lento em todo o mundo, por exemplo, a China é um país comunista, onde as pessoas são obrigadas a realizar exatamente o que o governo determina, e mesmo assim eles demoraram para conter o avanço da doença, para conter o surto, mesmo sendo um país muito rígido. No Brasil, são histórias totalmente diferentes, o tamanho do nosso país, o tipo de política que existe no nosso país, é democracia, então nem todas as pessoas seguem orientações, infelizmente a gente está vendo aí uma série de questões que estão se contradizendo, o governo fala uma coisa, a equipe técnica fala outra, então isso realmente é muito ruim para o país, para o momento que nós estamos vivendo, de pandemia. Acredito que isso não é hora agora, às vezes eu fico triste de ver as pessoas utilizando essa doença, infelizmente, a falta de saúde, a doença do outro para se promover, para fazer política, para crescer e fazer de palco político uma situação tão difícil quanto essa. Eu acredito, Valdair, que o Brasil vai ter picos de infestação diferentes. A doença vai ter epidemiologicamente, São Paulo já está sofrendo muito, Manaus já está sobrecarregada, o Rio também vai sofrer, o Sul está sofrendo, mas eu acredito que serão epidemias isoladas, porque o nosso país tem dimensões continentais, então em uma região pode ser que esteja tendo um pico de surtos de Covid e em outra região não. Isso é o que nos mostra, todos os estudos estão nos levando para isso. Então pode ser que, por exemplo, São Paulo tem muitos casos, eu tenho amigos que trabalham lá, eu tenho enfermeiras e enfermeiros que se formaram comigo que trabalham lá, e que me contam como que está sendo a rotina deles, que está sendo totalmente diferente da rotina da nossa região. Vamos considerar que Uberlândia é a segunda maior cidade de Minas e não está chegando e espero também que não chegue ao que está acontecendo em São Paulo, então o contingente populacional é muito maior, a aglomeração é muito maior, porque alguns metrôs continuam, linhas de ônibus continuam, então existe uma aglomeração muito maior em regiões mais populosas. Só que isso não é justificativa, porque eu posso sim ter um grande pico da doença aqui em Capinópolis, mesmo sendo uma cidade pequena, se realmente a população não se conter, ela não utilizar a etiqueta de higiene, que é a etiqueta da tosse, lavar as mãos, uso de máscaras, o que agora isso é imprescindível. Vai sair de casa? Confeccione a sua máscara, que é tão simples de fazer, saia de casa com máscara, isso ajuda muito. São ações que a gente deve fazer para diminuir e também para acelerar essa questão de que o nosso país saia dessa, para que logo se tenha um medicamento eficaz, porque a vacina eu acredito que esse ano não sai. Eu acho que essa epidemia vai ficar no Brasil até setembro e meados de outubro, por tudo o que a gente está vivendo e como estou vendo a trajetória disso, acredito que isso vai demorar sim. O processo é lento e com todas essas interferências que a gente está vendo, da política e de pessoas relutando de que isso não existe, que essa doença é criada. Não, a doença não é criada. A doença às vezes pode matar mais em uma região do que em outras, mas ela mata. Ela mata com uma proporção diferente, mas ela é letal, por isso que cada um tem que fazer a sua parte, não significa porque Capinópolis é pequena, não tem metrô, não tem ônibus que anda aqui dentro, que não vai ter, vai ter sim, se eu não tomar as medidas necessárias, nós também poderemos viver uma epidemia e morrer muita gente.

Pergunta: Fale da importância do isolamento social e como está a preparação para a volta às atividades das pessoas aqui em Capinópolis?

Sandra: O isolamento social é um assunto muito delicado e que causa uma série de opiniões diversas, mas nós sabemos que ele é o único medicamento eficaz que existe no momento contra o Covid. Não existe outro remédio, mas nós sabemos também que as pessoas não podem ficar trancadas dentro de casa, sem trabalhar, sem gerar a nossa economia. Já ficamos aí, atendemos o pedido e tudo, esse isolamento deveria ser realmente mantido, mas é insustentável, não temos como fazer isso, daqui alguns dias vai ter gente passando fome se já não tiver acontecendo isso. O isolamento social é eficaz, mas a partir de agora nós temos que saber como vamos realmente trabalhar com ele. A gente já sabe que está tendo muitas propostas vindas de vários conselhos, Conselho de Saúde, do Conasems, do Cosems, então assim, a gente sabe que o próprio Ministério Público estadual está aí nos auxiliando, quero também parabenizar o trabalho da doutora Maria Carolina, que hora nenhuma se opôs a nada, muito pelo contrário, a doutora Maria Carolina hoje é praticamente o meu braço direito na questão do Covid em Capinópolis e em toda a nossa região. Essa questão de isolamento social é necessária, porém, a gente não consegue manter isolamento social sem as pessoas saírem para trabalhar, sem as pessoas gerarem a economia. Imagina o que vai ser do país se daqui um mês todo mundo se fechar dentro de casa? Então nós temos sim que voltar parte das atividades, mas com muita responsabilidade, as pessoas têm que entender que o isolamento social tem que permanecer, então ele vai permanecer para as pessoas do grupo de risco, acima de 60 anos, pacientes com comorbidade, mas tudo com muita responsabilidade. A troca do ministro (Saúde), acho que cada região, cada estado, a gente já está mantendo uma dinâmica de trabalho. Eu acredito que o novo ministro não vai se opor ao que for melhor para a saúde, até mesmo porque nós temos órgãos também que fiscalizam, então se o ministro chegar lá e querer colocar coisas que podem causar danos para a saúde da população, esses outros órgãos, como o Conselho Nacional de Saúde e como o Conasems, vocês podem ter certeza que eles também irão lutar pelos direitos e, principalmente, pela saúde da população. A gente sabe que é uma questão muito política, prefiro até nem entrar nesse assunto, porque a minha questão é bem técnica.

Pergunta: Nós sabemos que foram algumas parcerias muito importantes que apoiaram para que o município estivesse preparado para essa luta contra o Covid-19. Destaque a importância desses parceiros.

Sandra: São de extrema necessidade. Foram muito importantes e gostaria de agradecer a todas as empresas que contribuíram, que foram muito mais que parceiras do município e da secretaria de saúde, elas foram parceiras da população de Capinópolis, com a doação, tanto a usina em relação à doação do álcool 70%, que é o álcool líquido. Ao Ministério Público estadual, na pessoa da doutora Maria Carolina, por quem tenho um grande respeito e admiração por tudo que ela vem ajudando a população, me ajudando em frente à secretaria de saúde, a doação, o recurso foi mais de 225 mil reais devolvidos para a prefeitura, para o Fundo Municipal de Saúde. Com esse recurso nós adquirimos equipamentos, que serão importantes, não somente nessa luta contra o Covid, mas serão úteis pelo resto de sua existência, quando esses equipamentos estiverem realmente funcionando, então eles serão muito úteis não somente agora, mas com certeza para salvar vidas. Quero agradecer também ao Tribunal de Justiça, que também doou, onde nós vamos fazer agora uma compra também de equipamentos para o Pronto Atendimento e para as unidades do Programa Saúde da Família, nessa questão para realmente equipar e melhorar a nossa estrutura para o enfrentamento da doença. Tivemos também a parceria da Câmara Municipal, que doou para a gente, onde voltou uma quantia de 51 mil reais, que foi muito útil para nós esse valor. Outras também fizeram doações, nesse momento em que a gente tem que reunir forças para que tudo saia da melhor forma possível. E dizer que essas doações são de extrema importância para nós, para a população, e vocês podem ter certeza que a prestação de contas será muito bem detalhada e todos poderão nos acompanhar mediante essas prestações de contas. Agradeço do fundo do meu coração em nome de toda a população de Capinópolis.

Pergunta: E com relação às pessoas do grupo de risco. Como deve ser a atitude dessas pessoas?

Sandra: Quero reforçar a necessidade do cuidado que todo mundo deve ter com os idosos. As famílias que têm idosos em casa, muito cuidado com eles, não deixem eles saírem às ruas, façam o trabalho externo que eles precisam. Se precisar ir pagar uma conta, se precisar ir na lotérica, se precisar ir ao banco, ao mercado, deixa essas atividades para as pessoas mais jovens. Não deixem esses idosos se exporem, e as pessoas que vão ao mercado, aos locais de aglomeração, vamos utilizar máscaras. Eu acho que toda a população deve usar máscara, a gente sabe que existe o trabalho social já na doação de máscaras. Se todo mundo fizer a sua parte, vocês podem ter certeza que vamos passar por essa epidemia com o menor dano possível. O isolamento tem que ser mantido para aquelas pessoas que realmente podem ficar e que não precisam sair de casa. Quanto menos gente na rua, menor as aglomerações. Vamos utilizar máscara, vamos continuar a higienização das mãos. Se não tiver álcool gel, não tem problema, lave as mãos com água e sabão, não existe melhor antisséptico do que o sabão e a água, o sabão é muito mais eficaz do que o álcool gel. Vamos manter o distanciamento, vamos evitar festinhas de final de semana em casa. Gente, o maior foco de disseminação são as festas, que são ocasionadas em casa, no âmbito da família, dos amigos que vêm, que acham que se eu juntar 10, 15 amigos, isso não vai estar gerando aglomeração. Vai estar sim, não façam isso, aglomeração não é só na rua, aglomeração também é dentro da sua casa, quando você traz gente lá de fora e coloca dentro da sua casa e gera um determinado movimento lá. Vamos ter consciência e pensar no próximo. Vamos usar a etiqueta da tosse, vamos fazer o melhor possível hoje para a humanidade. Proteja quem você ama!

Pergunta: Finalizando, as suas considerações finais.

Sandra: Deixo a minha eterna gratidão a toda a minha equipe da saúde. As meninas estão sendo guerreiras, assim como todos os profissionais de saúde do mundo inteiro, mas principalmente o pessoal de Capinópolis. Não é fácil trabalhar com muita tensão, todo mundo com muito medo, porque a gente sabe que as pessoas mais expostas são os profissionais de saúde. Ninguém tem escrito na testa que está com Covid e todo mundo tem que ser atendido de maneira igual. Eu quero parabenizar a todas vocês e dizer que tenho muito orgulho de fazer parte da equipe de vocês. Eu quero também pedir para a população que respeite o trabalho de todos, a gente passa por um momento tão difícil e que às vezes a gente ainda ouve muitas críticas, as quais às vezes nem sempre são construtivas, são destrutivas e a maioria por parte de quem não conhece o sistema de saúde e não sabe o que nós estamos fazendo dia a dia, diariamente. O nosso esforço é tremendo justamente para manter a sua saúde, para manter a saúde da população. Todo o pessoal da saúde é guerreiro. Tudo o que nós fazemos, não é pensando em nós e em nossa família, nós fazemos pensando no bem comum de toda a população. Obrigado, Valdair, por mais essa oportunidade e, finalmente, dizer: podem confiar em nosso trabalho, que é muito sério, pautado muito tecnicamente e, principalmente, no respeito por todos vocês. Obrigado e fiquem todos com Deus!

Foto: Arquivo

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